Uma Palavra Amiga

O caminho humano para a salvação

27 de Maio
Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai, dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; faz-me como um dos teus jornaleiros. Lucas 15:18 e 19
Ouvir

Pelo menos uma parte da teologia do filho perdido está correta. Verdadeiramente indigno de ser chamado filho, tinha vivido num estado de rebelião, começando por exigir que o pai lhe desse a sua parte da herança. “Eu quero o que me pertence agora, velhote. Não posso ficar eternamente à espera de que morras. Tenho uma vida para viver. Quero fazê-lo enquanto sou jovem. Por isso, passa-a para cá, porque não podes levá-la contigo.”

Que rico filho! Exatamente do tipo que ninguém gostaria de ter. Desrespeitador e egoísta.

E acabou então por ter o que queria. E com o que queria veio a dissipação na forma de consumo de drogas, sexo irrestrito e todos os outros prazeres do mundo. E realmente ele não teve nenhum interesse pelo pai enquanto houve dinheiro para suportar os seus hábitos. Só quando ficou desesperado é que se voltou para o pai. Não houve amor nesse gesto, apenas o impulso do desespero. Sim, ele era mesmo indigno de ser um filho. Finalmente, porém, estava pronto a admiti-lo.

E o rapaz estava certo noutro ponto: “Pequei contra o céu e perante ti.” O pecado não é simplesmente contra outras pessoas. É primeiramente contra Deus, o Pai de todos nós. David expressou essa verdade após a sua própria experiência “do país distante”, depois de cometer adultério com Batseba e de ter assassinado Urias para encobrir o seu crime. No final, com arrependimento, clamou a Deus: “Contra ti, contra ti somente pequei” (Sal. 51:4).

Até aqui, uma boa teologia. Só que o filho mais novo desviou-se do trilho. “Faz-me como um dos teus jornaleiros”, foi a sua súplica.

Para compreendermos as implicações deste pedido, precisamos de nos lembrar de que havia três níveis de jovens numa família próspera. No topo da escala social estavam os filhos. Tinham direitos e privilégios que mais ninguém tinha. Além disso, eram herdeiros. Mas o rapaz que desejava regressar sabia que tinha perdido o direito à sua posição.

Depois havia os escravos. Beneficiavam de alguma segurança. Afinal, a família era dona dos escravos e, por isso, estes pertenciam à casa. No fundo da escala estavam os servos contratados. Estavam lá hoje, e iam embora amanhã, dependendo da necessidade de trabalhadores. Era a posição mais insegura.

Com efeito, o filho foi pedir ao pai que lhe desse exatamente aquilo que merecia. Pedindo trabalho aparentemente desejava recuperar as boas graças. Assumindo o lugar mais baixo, talvez ao longo de anos de trabalho árduo ele se pudesse tornar de novo “digno” do estatuto de filiação.

Contudo, nessa atitude de “salvação pelas obras”, o rapaz estava totalmente equivocado em relação ao Pai.